DO COMBUSTÍVEL AO WATT: A NOVA ERA DA MOBILIDADE BRASILEIRA SEGUNDO A EPE
O estudo “Caderno de Eletromobilidade” do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035, elaborado pela Ministério de Minas e Energia (MME) em conjunto com a EPE, aponta que a eletrificação dos transportes rodoviários no país tem espaço para crescer muito nos próximos anos.
QUAIS OS PRINCIPAIS DESTAQUES?
1) A venda de veículos eletrificados no Brasil em 2024 registrou um crescimento de cerca de 89% em comparação ao ano anterior, e os modelos 100% elétricos (BEV) saltaram 219%.
2) Para 2035, o estudo projeta que 23% dos licenciamentos de veículos leves no Brasil serão eletrificados — o que representa cerca de 784 mil unidades naquele ano — e que a frota de leves eletrificados chegará a aproximadamente 3,7 milhões de veículos.
3) No transporte público, a previsão é de cerca de 48,5 mil ônibus eletrificados até 2035, sendo cerca de 43,5 mil totalmente elétricos.
4) Para os caminhões leves e semileves há estimativa de que 19% dos licenciamentos dessas categorias sejam de veículos totalmente elétricos (BEV) até 2035. A frota de caminhões eletrificados (incluindo híbridos) pode alcançar aproximadamente 43 mil unidades.
5) A demanda de eletricidade atribuída à eletromobilidade no Brasil deverá crescer de cerca de 627 GWh em 2025 para cerca de 7,8 TWh em 2035 — um aumento de mais de 12 vezes.
O QUE IMPULSIONA ESSE AVANÇO?
O relatório destaca que a combinação de fatores é favorável: maior oferta de modelos eletrificados, queda no diferencial de preço entre veículos convencionais e elétricos, evolução das tecnologias de baterias e recarga e políticas públicas que incentivam a renovação de frota.
Adicionalmente, o Brasil tem uma vantagem competitiva relevante: a presença consolidada de biocombustíveis sustentáveis, como o etanol, que permite uma transição mais equilibrada entre combustão, híbrido e puramente elétrico, reduzindo riscos de sobrecarga em uma única tecnologia.
QUAIS OS PRINCIPAIS DESAFIOS?
1) A infraestrutura de recarga ainda é desigual: algumas regiões concentram a maioria dos pontos de carregamento, o que exige expansão para garantir igualdade de acesso.
2) A rede de transmissão e distribuição precisará suportar novos picos de consumo em horários e locais não tradicionais, especialmente com caminhões elétricos e recarga rápida de veículos leves. Isso pode demandar investimentos significativos.
3) A produção de baterias depende de minerais críticos cuja oferta mundial está geograficamente concentrada — o que traz riscos de fornecimento para o Brasil e o mundo.
4) Do ponto de vista fiscal, a expansão da eletromobilidade pode afetar a arrecadação de tributos sobre derivados de petróleo, exigindo adaptações orçamentárias e novas fontes de receita pública.
QUAIS AS IMPLICAÇÕES PARA O SETOR ENERGÉTICO?
Para você que está na interseção entre regulação, energia e inovação, esse cenário abre janelas estratégicas e ao mesmo tempo desafiadoras, que irão definir o sucesso dos investimentos:
• Elaborar e firmar bons contratos de infraestrutura de recarga, incluindo cláusulas de compartilhamento de risco/regulação e concessões de uso de solo ou de rede elétrica;
• Negócios de logística que querem migrar para frotas eletrificadas, identificando incentivos regulatórios e potenciais litígios ou desafios tributários;
• Antecipar as obrigações regulatórias emergentes para concessão ou licenciamento de estações de recarga, importação de baterias, ou integração em redes inteligentes (“grid”).
• Identificar oportunidades de financiamento ou parcerias público-privadas para renovação de frota de transporte público urbano ou de frotas corporativas em descarbonização.
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Por: Juliana de Oliveira – Advogada no Setor Elétrico