A NOVA ERA DOS PRÉDIOS CORPORATIVOS: BATERIAS QUE REDUZEM CUSTOS E ELEVAM O VALOR DO ATIVO
A torre corporativa Civil Towers, localizada em Salvador, acaba de receber o primeiro sistema de armazenamento de energia em baterias (BESS — Battery Energy Storage System) fornecido pela GreenYellow, marcando um passo importante em eficiência energética para edifícios de uso empresarial.
O sistema instalado possui capacidade de armazenamento de 215 kWh e potência de 108 kW, o que permite ao edifício gerenciar melhor seus picos de consumo e reduzir a dependência da rede elétrica nas horas mais onerosas.
POR QUE ISSO IMPORTA??
Com essa iniciativa, espera-se uma redução de até 20 % na conta de energia da torre — um impacto financeiro significativo, especialmente considerando os custos crescentes de energia e as metas de sustentabilidade que organizações modernas abraçam.
Além dos benefícios diretos em termos de economia, o uso de baterias em empreendimentos corporativos representa também um ganho estratégico: maior resiliência elétrica, potencial para uso em esquemas de resposta à demanda (demand response) e alinhamento com as agendas de ESG (Environmental, Social and Governance).
A instalação de um BESS (Battery Energy Storage System) na Civil Towers representa mais do que uma melhoria operacional. É um movimento direto rumo ao futuro da gestão energética corporativa. Edifícios comerciais passam a operar como players ativos do setor elétrico, e não apenas consumidores passivos.
Num país onde a tarifa de energia cresce de forma consistente e as distribuidoras repensam suas estruturas tarifárias, ter um sistema próprio para gerenciar picos e deslocar consumo virou uma vantagem competitiva.
Esse projeto da Civil Towers pode servir como um caso-modelo: demonstra como ativos imobiliários podem se transformar em plataformas de eficiência energética e geração de valor extra além do uso tradicional.
POTENCIAL DE ECONOMIA – COMO CHEGA AOS 20%
Um BESS bem configurado reduz custos em três frentes:
1. Shaving de ponta (redução de demanda máxima)
A torre evita consumir da rede nos horários mais caros, reduzindo o pico de demanda — historicamente o componente mais pesado das tarifas de grandes consumidores.
2. Valley filling (carregamento inteligente)
O sistema carrega em horários de tarifa mais baixa (ou em momentos de menor uso interno).
3. Mitigação de ultrapassagens de demanda e penalidades
Edifícios comerciais frequentemente pagam multas por ultrapassar a demanda contratada. O BESS elimina esse risco.
Com isso, chegar a 15%–20% de economia anual é realista, especialmente em prédios com cargas elevadas de climatização, elevadores e iluminação — casos típicos em Salvador.
ROI E PAYBACK – ESTIMATIVA REALISTA
Sem acesso ao contrato exato da GreenYellow, podemos trabalhar com valores médios de mercado para BESS comercial:
* Investimento estimado: R$ 900 mil a R$ 1,2 milhão
* Economia anual possível: R$ 180 mil a R$ 260 mil
Isso coloca o payback entre: 3,5 a 5 anos
Para ativos com vida útil de 10 a 12 anos, trata-se de um retorno muito sólido.
BENEFÍCIOS ESTRATÉGICOS (ALÉM DA ECONOMIA)
Aqui está o grande pulo do gato — e onde empreendimentos ativam vantagens competitivas:
1. Resiliência elétrica
Um edifício class AAA com BESS tem redução significativa de interrupções e “pisca-piscas”, especialmente em regiões de carga instável.
2. Ambiente ESG valorizado
Empresas locatárias estão exigindo cada vez mais prédios com soluções sustentáveis para atender compromissos de redução de carbono.
3. Preparação para mercado de resposta da demanda
Quando a ANEEL avançar no DR (demand response), esses sistemas poderão ser remunerados por devolver potência à rede.
4. Valorização do ativo imobiliário
Edifícios com infraestrutura energética inteligente são mais atrativos, têm menor vacância e maior valor de locação.
Ângulo Jurídico-Regulatório — Onde você pode atuar brilhantemente
No entanto, há temas jurídicos e regulatórios poderosos em torno de projetos como esse:
1) Estruturas contratuais de BESS como serviço (Energy-as-a-Service)
2) Responsabilidade pela degradação das baterias
3) Regras tarifárias aplicáveis (Grupo A, demanda contratada, tarifas horárias)
4) Incentivos normativos para armazenamento (assunto em evolução na ANEEL)
5) Adequação à REN 1.000/2021 no que tange a qualidade e continuidade de fornecimento
CONCLUSÃO
A Civil Towers está surfando uma onda que tende a crescer de forma acelerada nos próximos 2–5 anos: prédios que se tornam hubs de energia inteligente.
Hoje é uma torre em Salvador; amanhã, esse tipo de solução se tornará padrão para grandes empreendimentos que desejam competitividade, estabilidade elétrica e vantagem ESG.
E você, que trabalha no cruzamento entre energia, regulação e inovação, pode usar esse case como vitrine para oferecer soluções ainda mais ousadas aos seus clientes.
Gostou deste conteúdo?? Curta, comente e compartilhe!
Por: Juliana de Oliveira – Advogada no Setor Elétrico